sábado, março 22, 2003

Acabei de fazer um teste para saber que palavrão eu sou
eis o resultado:



Que palavrão você é?

Blogodailon 21-03-03

Hoje resolvi continuar com a descrição dos bairros , mas antes apresento uma relação de palavras que eu uso no meu louco sub-dialeto...

Dicionário básico do professor Odilon:

BG (Bê Gê) - De Baixo Gávea, galera intelectual metida a discutir tudo, gostam de criticar muito a burguesia, quando, na realidade, são seus representantes máximos.

Conterrâneo (a): Nordestino (a).

Clubber Fashion- Esses são mais comuns em Sampa. Clubbers que acham que sacam tudo de moda e fazem altas invenções.

Descolados- Pessoas que querem criar um estilinho diferente, mas na realidade são e estão fei@s. Muito comum nas festas da LOUD !

Família- Homossexual.

Figuração: Pessoa que sempre está nas rodas de conversa mas falam muito pouco ou quase nada. Pode ser também um membro da família( me refiro ao conceito tradicional) que pouco participa.

Juraci - Mulher feia ou a mulher bonita mal cuidade, que ainda não sabe usar o potencial de beleza.

Mariazinha-
Pessoa muito puritana, moralista. TFP.

Mato de Piolho- Caras que deixam o cabelo crescer e fazem um black-power estranho muito vistos na Lapa e em Santa Teresa. Fãs de Bob Marley, cânhamo e cogêneres, acham que fumar maconha ainda é revolucionário. Alguns deles também gostam do PT e do HIP HOP e se acham na contramão no sistema, embora alguns possam ter comportamentos machistas, racistas ou até mesmo homofóbicos. Acham que o não pagamento da dívida externa e o rompimento com o FMI salvarão a humanidade. Podem ser brancos que deixam o cabelo pixaim crescer para dizer que gostam da cultura negra, mas escondem uma mãe, pai, avô ou outro antepassado negro. O IFCS da UFRJ é outro habitat. Ver o livro "O Manual do Perfeito Latino Americano", pois alguns aí podem estar incluídos.

Mocoronga ou Mocorongo- Homem ou mulher mal arrumados e que andam curvados, meio que com medo da vida.

Mocréia- Mulher feia, porém metida a gostosa. Pode gastar quilos de maquiagem na cara, botox, silicone, calças da fórum e enganar os que tem os raros neurônios todos na glande, mas de nada adianta.

Piqueteiro(a)- Esquerdista ou aquele que pensa que é.

Rio de Fevereiro, Março e Abril: Quanto mais longe for o lugar na cidade do Rio de Janeiro, mais um mês ele ganha no calendário, pois se Américo Vespúcio chegasse nesses bairros com certeza ele não chegaria em janeiro, só nos meses seguintes.

Romildo- Homem desleixado, grosseiro e/ou que fala o que quer, sem modos. Existente em absolutamente todas as classes sociais.


Continuando a descrição dos bairros...

Catete: Outrora um lugar abandonado e cheio de velhos e hoje invadido por "matos de piolho" que não tiveram grana pra ir pra Santa Teresa. É uma bagunça a Rua do Catete com camelôs apesar da massa de eleitores do marqueteiro e reacionário César Maia. Mas com muitos lances interessantes além de ser a antiga sede do poder, pois é onde se localiza o Palácio que abrigou os presidentes até Getúlio Vargas.

Catumbi: Só tenho uma vaga lembrança de quando era pequeno que era um bairro cheio de ladeiras e que hoje vive no estresse da guerra do tráfico, assim como diversos bairros do Rio.


Centro: Tem muitas partes. O que chamamos de "cidade" está velha e muito cheia sem suportar o movimento que tem. Outra coisa que me entristece é o fato de que de noite e nos fins de semana o Centro carioca é um vazio total. Tem as suas adjacências: o Bairro de Fátima, no pé de Santa Teresa, com a galera de classe média baixa e a chamada Cidade Nova, que é ainda um projeto de colocar o centro financeiro e administrativo do Rio mas isso ainda não deu certo.

Copacabana: Um grande pardieiro carnavalesco. A sua orla tem um tom deprê, embora queira vender ao mundo uma imagem de alegria. É o bairro onde, de fato, você encontra todos os tipos de pessoas mesmo, sem o marketing atual da Lapa. Decadência e luxo, riqueza e pobreza, beleza e feiúra, virtude e pecado, mas sem ser tão antitético assim, pois entre cada um desses pares de opostos existem muitas coisas. Um grande mafuá, essa é a verdade.

Cosme Velho: Um bairro muito bonito, pena que é lá em cima e o acesso por transporte público não é tão fácil como em outros bairros, ainda que seja o pé do Corcovado.

Estácio: Alguma de suas definições podem ser vistas no que descrevi sobre a Cidade Nova, além de ser um estranho ponto de transição entre o Centro e a Tijuca.

Fátima: Ver Centro

Flamengo: Tem duas partes. A da nobreza, que se localiza na praia de mesmo nome e na Av Rui Barbosa, com apartamentos antigos enorme e que é sonho de consumo de muitos. Na mesma Praia do Flamengo existem prédios da galera classe média baixa, e as Ruas Marquês de Abrantes e Senador Vergueiro são a pátria dos adolescentes. É interessante que é um bairro, de certa forma, mais nobre que o Catete mas precisa deste último para serviços essencias como o de saúde pública.

Gávea: A pátria mor dos BGs, onde convivem luxo e a decadência do Baixo Gávea repleta de bêbados crentes que têm algo a dizer. É chique dizer que mora na Gávea , mas ao meus olhos, não é um bairro bonito.


Glória: Mi tierra amada !!!!!!! Ah Glória terra que me acolheste durante quase 25 anos e de ti sou cidadão. Uma belíssima igreja no outeiro homônimo. Apesar disso tudo vejo meu bairro como aquela velha decadente que você vê uma foto antiga e diz: nossa como ela era bonita !!!!!!! Mas pelo menos não tem o "botox" da Barra da Tijuca e nem a rompância ridícula de alguns de seus vizinhos de Zona Sul, que querem ser tanta coisa, mas não tem um milonésimo do peso deste bairro para a história dessa cidade. Também há uma proximidade com o Centro que a deixa com algumas características semelhantes, além de ser também um dos "pés" de Santa Teresa, assim como o Catumbi, Laranjeiras e Fátima.

Grajaú: Conheço muito pouco e de acordo com alguns amigos tem um quê da Grande Tijuca. Outra informação fala que esse bairro foi o primeiro do RJ a ser planejado, ao lado de Marechal Hermes. O fato é que é um bairro muito arborizado e com um tom bucólico, como alguns outros da Zona Norte e com um clima muito gostoso, mebora alguns moradores reclamem das favelas e os problemas com o tráfico. Mas isso não é exclusividade do Grajaú.

Guaratiba (Barra de): Um amontoado de casas que parece uma favela, com uma praia linda e poluída e no meio de uma bela paisagem da Mata Atlântica, apesar da distância a colocar no Rio de Abril.

Humaitá: Uma passagem entre Botafogo, Lagoa e Jardim Botânico. Guardo um carinho grande por este bairro, pois nele eu estudei durante 6 anos. Tem um trânsito caótico, por vezes irritante , mas não deixa de ser um lugar aprazível.

Ilha do Governador: Está no subúrbio, mas se sente. É um lugar bonito e agradável, mesmo com as praias poluídas e as inúmeras favelas.

Ipanema: Uma orla agradabilíssima. A paisagem muda pra melhor quando saímos de Copacabana e chegamos lá. Entretanto é extremamento burguês, embora alguns estejam crentes que são aristocratas, inclusive àqueles que torcem o nariz para o povo das favelas do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, como é o caso do chargista e "esquerdista" Jaguar que tem verdadeira ojeriza à negrada na praia do Arpoador. É a pátria dos familiares metidos à chique e barbies marombadas e/ou anabolizadas. Lotada de bistrôs e bares onde também se encontram muitos Begês. E ultimamente com mendigos por todo lado, tem que tomar cuidado pra não virar Copacabana.

Irajá: Rio de Fevereiro, quase março. Um lugar com muitos condomínios e com uma boa infra-estrutura de transporte para aqueles lados. Difere dos bairros da Zona Norte como os da Grande Tijuca e os vizinhos do Meier, mas também não é tão precário como Acari, por exemplo.

Jacaré: Nunca estive nesse bairro mas tive que mencioná-lo pois toda hora tem um 474, mesmo que seja às 3 e meia da manhã de domingo, o que me faz pensar: é a metrópole.

Jacarepaguá: Rio de Abril e de lá só conheço o Riocentro.

Jardim Botânico: Um bairro muito bonito e com um clima bucólico, apesar do intenso movimento e dos constantes engarrafamentos na rua de mesmo nome, além de ser a pátria dos globais begês, porque os ignorantes vão para a Barra, que é o lugar deles mesmo.

No próximo post continuo a partir da letra L, de Lagoa








sexta-feira, março 21, 2003

Bairros do Rio de Janeiro

Resolvi fazer um pequeno resumo com as minha impressões dos bairros, por ordem alfabética e considerando os bairros que eu conheço, que eu já pus os meus pés.

Abolição: Esse bairro da Zona Norte tem um clima que me lembra o lado antigo do Rio de janeiro, daqueles que vemos em Lima Barreto, assim como os demais bairros daquela região próxima ao Méier.

Aldeia Campista: Pasmem mas esse bairro existe. É uma espécie de passagem sem definição entre Tijuca e Vila Isabel com as características desses bairro: ruas bucólicas , casas antigas e creio que a famosa festa junina da Senador Soares que tanto me falavam é nesse enclave.

Anchieta:<b> Rio de Fevereiro, caminho para Nilópolis. O que me lembro de lá é uma pracinha com uma igreja e aquela zona , uma coisa assim, subúrbio. E dizem que ali era um lugar em que os tuberculosos iam por causa do clima e tal. Bons tempos aqueles....

Andaraí: Isso é bairro, apenas um nome do morro ou um enclave? Nem o povo de lá consegue se definir , e acabam dizendo que moram na Tijuca. Parece até povo de cidade minúscula do interior do Brasil que sempre diz que mora na cidade maior mais próxima. Acho que a porção mais extensa desse local é o morro, em que cabras se equilibram em rochas já nas rebarbas da Floresta da Tijuca.

Bangu: Falar que esse bairro é quente é muito redundante. Nos meses de inverno lá, por incrível que pareça, é quase a Sibéria, já que fica encravado no meio de várias serras. O transporte rápido para lá é dificil, sendo feito pelos "expressos" S-13 e 397, que vai para Big Field. É um bairro interessante, cim um comércio muito intenso nas ruas principais e restam ainda algumas casas antigas e uma fábrica de tecidos que já não funciona mais. E na calçada de acesso à estação de trem uns chuveirinhos para amenizar o calor, mas não notei diferença. É quente mesmo !!!!!!!!!!!

Barra da Tijuca: A mãe terra de toda futilidade e seus animais, a saber: peruas, loiras parafinadas, jogadores de futebol que ganham dinheiro, traficantes e ladrões de todo tipo, playboys pit bouys marombados de cérebro reduzido e patricinhas idem. Enfim, um lugar de natureza exuberante mas com um "habitus" podre !!!!!! O que é a Barra afinal? Uma cidade cenográfica da burrice, assim como a "Malhação" por exemplo. Como diz um menino é um blog, ela deveria ser fechada, cercada com arame e lá o governo, após um acordo com os traficantes, os colocaria lá para fazer mercado livre, legalizado. Clientela não iria faltar. Enfim, é a própria Canaã suburbana e tijucana, o povo desses lugares sonham em ir pra lá quando tiverem mais $$$$$. E é um lugar que as pessoas só andam de carro, e o pobre tá f... porque o movimento de ônibus é precário além de virem lotados (esse é um problema comum a toda Zona Oeste) e não há calçadas onde as pessoas andam e param em lojas. O que há é um comércio totalmente encastelado nos shoppings. É um retorno a Idade Média, quando os nobres se fecharam em castelos temendo os bárbaros. O fato é que nobreza na Barra é nula....

Bonsucesso:<b> Cercado de dois grandes complexos de favelas: o do Alemão e da Maré. É um bairro com forte contraste social, pois uma coisa é o que vemos na Praça das Nações e outra é o que vemos nas favelas.

Botafogo: Bairro com vários contrastes de beleza e feiura. Se você anda ali pela General Polidoro de um lado há o Cemitério São João Batista de um lado e oficinas xexelentas de outro, enfeiando a paisagem. Mas há muitas casas bonitas mas as calçadas são muuuuito estreitas. As ruas estão velhas e estreitas demais para o fluxo tão grande de veículos que ali há.

Semana que vem, letras C e D....
Momento de Sono e João Cabral de Melo Neto

Hoje queria postar umas coisas interessantes neste blog mas o sono não deixa. Daí pensei em "Noturno" do João Cabral de Melo Neto, poema da sua obra de estréia "Pedra do Sono" (1942), título que para alguns autores mistura uma porção surrealista (sono) com a crueza de sua poesia ( pedra). Mas como o trabalho do "engenheiro" João Cabral recupera , de certa forma, o "ourives" invejado por Olavo Bilac, creio que a poesia dele não é crua, pois ela é devidamente trabalhada.

Pensando melhor, o ourives é artesanal e se perde em detalhes, pela natureza de seu trabalho obcecado pela beleza. O engenheiro preza pela exatidão. Assim se faz JCMN.

E muita gente puxa o saco do Carlos Drummond de Andrade. Mas JCMN dá de 1000 no mineiro , pois a obra é mais consistente e não há bobagens como aquele "Stop" (a vida parou?/ou foi o automóvel?), ou aqueles rompantes no clássico Poema de Sete Faces, em que ele reclama da vida e no final tenta fazer um "carão" colocando toda a culpa no conhaque pelo sentimentalismo ébrio dele.

Vamos ao que interessa:

Noturno

O mar soprava sinos
os sinos secavam as flores
as flores eram cabeças de santos.

Minha memória cheia de palavras
meus pensamentos procurando fantasmas
meus pesadelos atrasados de muitas noites.

De madrugada, meus pensamentos soltos
voaram como telegramas
e nas janelas acesas toda a noite
o retrato da morta
fez esforços desesperados para fugir.

Et c'est fini !!!!!!!!!!!!!!!!!