sábado, fevereiro 01, 2003

BLOGODAILON 1-02-03

A minha entrada na atmosfera depois do acidente com a Columbia

Hoje, sábado, iria começar meus clássicos posts com as pílulas de sempre e com um texto sobre psicanálise. Entretanto ao me conectar aquela página escrota obrigatória do UOL se abre e lá fico sabendo que o ônibus espacial Columbia explodiu antes do pouso. E por que isso me move a escrever um texto? Será que levei uma grana do Bush? Palhaçada sentimentalóide? Coisa de habitante de país subdesenvolvido? Nada disso. Vejamos porquê.

Desde criança sempre fui encantado por essa bendita máquina. Imagina um lance super pesado que é impulsionado ao ar graças a 3 foguetes propulsores, num lançamento parecido como as máquinas mais antigas , mas com uma novidade. Uma nave que volta do espaço e pousa como um avião e que se locomove no espaço graças ao fato de lá não haver atrito com o ar (já que esse é inexistente) e assim sendo, mantem velocidade constante. E de repente essa máquina se desfaz na entrada da atmosfera, esse limite entre a nossa casa (Terra) e o espaço. Ah, os limites...

Outro dia estava vendo no Discovery uma lista que eles bolaram sobre as máquinas mais fantásticas do século XX. Estavam lá aparelhos modernos de mergulho e o trem bala japonês - que no futuro pode substituir os aviões em viagens como Rio até São Paulo.. Mas em primeiro lugar estava lá o ônibus espacial. E o programa lembrava o único acidente ocorrido até então com um ônibus antes, o da Challenger, em meados nos anos 80. Agora em 2003 chegou a vez do Columbia, a nave mais antiga em operação desde 1981.

Antes de dormir relia um livro de Günther Grass chamado "A Origem da Humanidade" e de como criamos "n" teorias para tentarmos desvendar as coisas do espaço, sobre a vidade fora da Terra quando sequer sabemos quem realmente somos. Sabemos ainda muito pouco sobre o DNA de uma bactéria quanto mais sobre nós mesmos e quiçá sobre coisas de outro mundo. Para tentar responder a tudo isso criamos inicialmente as crenças e religiões, partimos para filosofia e criamos e sistematizamos parte do conhecimento sobre essa coisa chamada ciência. Sem falar nos esportes, outro ponto que ilustra essa questão da superação de limites. E correndo por fora outros pensamentos como a psicanálise para falar de que existimos também onde não pensamos: o inconsciente. Enfim, tudo isso para tentar dar conta dos nossos limites.

E uma nave se desfaz em um desses limites, o limite que desafia a relação homem X natureza, embora eu deteste esse tipo de dicotomia uma vez que existe aí um paradoxo: o homem é parte dessa própria natureza e ao mesmo tempo esse conceito de natureza é criado pelo próprio ser humano, logo não é "natural" como pensamos. Tirando esse "efeito Tostines" o fato é que esse acidente me fez pensar sobre esses limites. Claro que não estou usando aqui aqueles argumentos tipo CNBB que é "anti-progresso" ou ao processo de superação do homem. Até porque se eu fosse nessa idéia eu não seria psicólogo, iria virar pregador de alguma seita maluca, embora existam profissionais que aplaudam de pé esse discurso reacionário com pinta de progressista que é contra qualquer possibilidade de "avanço" (uso o termo entre aspas pq muitos deles nos trazem conseqüências desatrosas quando não bem utilizados). O fato é que os limites estão sendo batendo a nossa frente e ali estava a barreira entre a atmosfera e o vácuo, entre a vida e a morte, talvez pelo fado, talvez pelo erro, isso ainda não sei. Mas insisto que ao conhecermos os limites estamos podendo nos reconhecer e a partir daí estar indo além. Pena que isso pode custar muitas vidas....Ponto importante para pensarmos quando vivemos em um planeta com tanta coisa ruim acontecendo... O conhecimento é como a entrada na atmosfera, supera um limite mas pode ser perigoso, e aqui vou fazendo a minha. Mas o mmeu fascínio com os ônibus espaciais não se encerra aqui !