sexta-feira, março 14, 2003

Blogodailon 14-03-03

PíLúLaS

1- 8 de Março: Não poderia deixar passar em branco o dia Internacional da Mulher. Estive pensando em dois mitos femininos que se confundem, de certa forma: Eva e Pandora. A primeira é considerada a principal responsável pelo pecado original que, entre outras coisas, faz com que os homens tenham que trabalhar para se sustentar, que a mulher sinta dores ao ter filhos e que menstruem. Essa é a metáfora machista judaico-cristã. A outra diz respeito a Pandora, que abriu a tal da caixa e liberou tudo de ruim pelo mundo. Ao menos essa deixou lá a Esperança, enquanto Eva, Caim e Abel, mito que um dia comentarei depois. O fato é que mesmo depois de milênios dessas lendas todas as mulheres não obtiveram ainda reduzir as diferenças que são gritantes em uma sociedade que só as enxerga pelo prisma de Eva (a vagabunda desgraçada) e Maria (a santa que deu luz ao filho virgem). Se colocar nos termos freudianos, Eva é Eros, a pulsão de vida, a libido, que é a mola mestra da vida...Maria é Tanatos a ausência de prazer, a entrega, a morte (tanto que nós ,católicos, reverenciamos a última em forma post-mortem, gloriosa e santificada). Mas fico feliz que no mundo existem sim Evas e Marias mas não são as únicas, existem inúmeras outras que não são necessariamente essas e que todas devem fazer valer seus direitos. E os homens não podem ficar ausentes disso, ou estarão condenados ao atraso e ao sumiço de si mesmo....por isso ando pensando que cabe aos homossexuais (homens e mulheres) a grande parte que ainda falta da revolução sexual que ainda mal começou. Esse é outro assunto.

2- O Novo Gianechinni: Parece que Manoel Carlos anda querendo fazer de Rafael Calomeni, o Expedito, o novo galã, um novo Giannechini. Minhas considerações: o Gianechinni é muito mais bonito mas o tal Calomeni seria um daqueles "tipão" que você leva para uma festa e faz um carão, uma inveja básica n@s despeitad@s de plantão.

3- Caim e Abel: Sempre achei Caim , por mais que o pintem de invejoso, o esculachado da estória. Metáfora boa para pensarmos de como as religiões e ideologias excluiram ao longo da história àqueles que não seguiram seus preceitos. É como a relação caim e Deus. Se contestar, já era !!!!!!!!!!

4- BBB3: Meu perfil andou rendendo polêmicas. Tudo isso por conta da Diva que resolveu colocá-lo numa dessas listas (Ô menina , c num tem o que fazer naum????????). Mas vamos às polêmicas (DH não é nada pessoal) : uma criatura diz que Votorantim não é mato que não o que mais. Essa pessoa precisa tratar o transtorno narcísico porque tá pior que mendigo que diz que é enviado de Deus. Mania de grandeza grita (tá vendo que maluco não tem só no Pinel). Depois andaram sobrando duvidas à sexualidade de Jean Não Assumi. Eu esclareço, Jean não tem poder pra ser gay porque é um carinha muito sem graça. Não prestaria pra barbie, drag, travesti, nem homo convencional como yo. O fato é que nas edições anteriores os supostos "familiares", a saber: André Gabbeh e Fabricha tinham mais glamour que o nipo- qualquer coisa do BBB3. O primeiro vivia cantando pela casa e aparecia mais. O segundo era uma bicha muito da venenosa que jurava que era hetera. De uma forma ou de outra mais interessantes que Não Assumi, que não vai assumir (e nem deve para o bem da comunidade GLBT) nunca. Deixemos o rapaz feliz com a moça que ele namora fora da casa (Elane não dá pra você naum).

5- Fome Zero: No jornal da Grobo o mega-odiado Jabor detona com o programa do Luis Inácio. O fato é que cheque isso, vale aquilo outro já foi feito n vezes e nunca deu certo. Enquanto a fome não for pensada como um problema sócio-culutral nesse país ela nunca poderá ser "combatida" a sério, embora reconheça que uma pessoa com fome não pode perder tempo em discursos sociológicos. É como diz Joãozinho Trinta, quem curte miséria é intelectual.

6- Carnaval: E falando em Joãozinho Trinta aproveito para deixar minha pílula carnavalesca. A Beija-Flor ganhou, embora a Mangueira tenha sido melhor. Achei escroto mas para quem era vice o tempo todo, até que tá valendo.

7- Glória Urgente: Passando hoje pelo "Baixo Glória" e pela minha própria rua bateu uma deprê. Na pracinha que fica entre os dois acessos do metrô Glória abandono e uma pedra pintada com símbolo do Comando Vermelho (nunca tinha visto isso por aqui). As praças sem crianças , só com população de rua mesmo. E a Murada da Glória, feita para celebrar a Abertura dos Portos e que daqui a 5 anos fará 100 anos de existência está toda enferrujada, embora fique em frente a um hotel 5 estrelas. O empresariado aqui ainda não reparou que tão importante quanto o seu estabelecimento é também o local onde ele se encontra. Embora não queira aqui eximir o poder público de seu papel (Alô seu Cesar Maia e Dona Rosinha).

8- Política: Alguem reparou o mal estar do Josias Quintal ao ter que apertar a mão do Luis Eduardo Soares? Parecia até novela mexicana. Só faltou o Josias se afastar, virar de costas, olhar para a câmera e dizer que odeia LES num show de canastrice. Mas isso, ninguém merece. Enquanto isso o couro come no RJ...E aquela associação Josias e César Maia? como diz uma amiga que mora em Tampa: essa união vai dar filhote de "cruz-credo" com "virgi-Maria".

9- Baixos: Jornalista que come de graça na Zona Sul e mora no Rio de Abril, leia-se Barra, ou num quitinete na Zona Sul adora inventar moda e uma delas é esses Baixos. Inventaram até Baixo Humaitá, uma nesga de terra espremida entre Botafogo, Lagoa e Jardim Botânico. Por isso é que eu odeio o caderno Rio Show do Globo.

10- Os Odiados: Será que chegarei ao status de seres odiados como Arnaldo Jabor, Barbara Heliodora, Diogo Mainardi e Olavo de Carvalho??????? Minha resposta aos que dizem que minhas pílulas são muito críticas é pelo simples fato da mídia oficial vender tudo como se fosse verdade, acrítico e apolítico. Por isso meus comentários podem parecer tão chatos, assim como os das pessoas citadas no começo desta "pílula".

domingo, março 09, 2003

Em um momento de crise faço um poema. Agradeço a Michelle que me fez lembrar o conceito que dá título a esse poema. Calor que há manipulação porque poesia não poder ser mero desabafo. Beijo para o Fábio que aturou minhas sandices nesse fim de madrugada pós-carnavalesca.

Catarse

Porque algo está preso
não sei o que é.
A boca não abre pois por isso ela é sitiada,
e, ao pensamento não chega , para não ser corrompido

E isso manda um recado para o coração
e parece ter mãos a rodar com minhas visceras,
fazer de brinquedo meus vasos e minhas pernas que tremem.

Fez-se a luz, fez se um zás!
Liberto o que me prende.
Agora tem uma identidade, mera sucessão de números,
porque a realidade não é como o ego que deseja o sucesso,
ela é burocrática e diluente.

Fez-se a luz, fez se um zás!
As coisas ficam claras:
catarse!
Isso se espedaça e meus olhos não tem como fugir.
Resta-me os cacos catar e ser
aquele que estará pronto,
no dia seguinte,
a tomar novos rumos com o que se solta
e prender mais uma vez o que não se sente.

Odailon 9 de março de 2003