domingo, março 09, 2003

Em um momento de crise faço um poema. Agradeço a Michelle que me fez lembrar o conceito que dá título a esse poema. Calor que há manipulação porque poesia não poder ser mero desabafo. Beijo para o Fábio que aturou minhas sandices nesse fim de madrugada pós-carnavalesca.

Catarse

Porque algo está preso
não sei o que é.
A boca não abre pois por isso ela é sitiada,
e, ao pensamento não chega , para não ser corrompido

E isso manda um recado para o coração
e parece ter mãos a rodar com minhas visceras,
fazer de brinquedo meus vasos e minhas pernas que tremem.

Fez-se a luz, fez se um zás!
Liberto o que me prende.
Agora tem uma identidade, mera sucessão de números,
porque a realidade não é como o ego que deseja o sucesso,
ela é burocrática e diluente.

Fez-se a luz, fez se um zás!
As coisas ficam claras:
catarse!
Isso se espedaça e meus olhos não tem como fugir.
Resta-me os cacos catar e ser
aquele que estará pronto,
no dia seguinte,
a tomar novos rumos com o que se solta
e prender mais uma vez o que não se sente.

Odailon 9 de março de 2003