terça-feira, abril 01, 2003

Chicago, Rio de Janeiro e a industria de celebridades criminosas





Sábado fui ver Chicago. Um amigo que é compositor e saca tudo sobre musicais disse-me que era imperdível. Não levei muita fé, mas a sedução dos meios de comunicação foi mais forte. E lá fui eu ver o bendito filme sem esperar muito. E não é que eu adorei?
Enfim aproveitei o mote do filme para pensar sobre uma série de coisas que acontece em uma cidade tomada pelo crime organizado, tal como a Chicago dos anos 20: São Sebastião do Rio de janeiro (23 0 S; 46 12 W).

Para quem´não viu o filme o tema é basicamente sobre a indústria de celebridades, sendo que elas cometeram algum crime e na cadeia um advogado espertalhão faz de tudo para elas se tornarem celebridades e ele também, claro.

Estive pensando em duas coisas que ocorreram aqui recentemente: o assassinato do cirurgião plático Ox Bismarchi, aquele que "recauchutou" a mulher para aparecer com ela no carnaval, e que agora é suspeita de participação no crime e no jogo de empurra em relação a Fernandinho Beira-Mar.

No primeiro caso temos uma mulher que vive às custas da mídia , só que dessa vez os 15 minutos dela foram além do carnaval, muito em parte por causa dos canais abutres como a eRrEiDE TV. A diferença é que em Chicago não basta apenas a sensualidade, mas cantar e dançar ainda contavam. Hoje um corpo bonito já basta, e nessa insanidade toda que vivemos, se você não tem, compra ou monta, ou se casa com um cirurgião plástico.

No segundo as atenções da mídia se volta para um traficante que, diferentemente dos outros, comanda verdadeiras ações terroristas. Uma professora disse que o termo "terrorismo" é uma alienação que o Tio Sam quer impor na gente por causa dos atentados do 11 de setembro. Mas me diga se mandar fechar tudo, colocar granadas nos prédios mais nobres da Zona Sul e sem falar na ligação com a famosa FARC, e um manifesto com conteúdo político não é terrorismo? Se não for me arruma outro nome que eu não estou achando !

Enfim, hoje essas pessoas tem atenção na mídia. E quem sabe as crianças responderão à famosa pergunta: o que você vai ser quando crescer? Modelo, jogador de futebol? Não, quero aparecer seminua no carnaval, arrumar um marido rico e ter a atenção da mídia. Ou então ser um narcotraficante internacional para ter muito sucesso e os governadores fazer um jogo de empurra comigo !

Mas cabe dizer aos que pensam que essas escolhas se baseiam na falta de opção e que o mercado de trabalho está sem espaço: mulheres siliconadas e traficantes também tem concorrência grande. Fatores sociais não são apenas os econômicos, mas o fascínio que os meios de comunicação colocam, bem como a manipulação da notícia, de acordo com vários interesses, é uma variável fundamental a ser vista , ainda que não seja a única, já que assim teríamos um simplismo fácil e demonizante dos meios de comunicação. Até porque eles são fundamentais para a ocorrência de democracia...resta saber se é democracia de fato ou se tudo é apenas show-biz. A diferença é que aqui, a miséria e as mortes, são reais.