segunda-feira, agosto 05, 2002

Momento Nelson Rodrigues
por Odailon
odaylon@ig.com.br


Esta semana a Globo tá passando Brava Gente Especial com um filme baseado na obra de Nelson Rodrigues. Não sou um especialista na obra dele, e o que vi em teatro foi "Decote" montado por Daniel Herz e Suzana Krugger há uns 6, 7 anos. Esse espetáculo foi baseado no "A vida como ela é" (sonoplasta mande a musiquinha tâ tâ tâ tâ tâ tâ e o ventilador).

Vi terça feira passada com o enredo típiuco. O cara sai com uma mulher casada e conta com a ajuda de um amigo. Na primeira cena percebe-se que ele é ingnorado pelo balconista e por seus pares no bar. Na última cena, quando conta a sua aventura com uma mulher casada está rodeado por esses pares.

Como estou em um momento professor vou me lembrar de outro, mais famoso e também escritor: Joel Birman. Ele diz que o "setting" analíticoé um espaço teatralem que representamos personagens, e expomos ali o que há de ridículo em nós. Sentimos especiais, carentes de amor, apresentamos ene problemas mas na realidade somos ridiculos por acharamo que seremos mais especiais que qualquer outra pessoa na terra, e isso em plena egotrip psicanalítica. Não por menos uma amiga chama seu analista de Hannibal, mas esse é um outro assunto,

Voltando a Nelson: vendo esse episódio penso que o interessante da obra dele não são personagens fortes. Antígona tem força. Medéia tem força. Na tragédia brasileira, ou em seu lado cômico (lembrando a tênue linha entre tragédia e comédia), by Nelso não há personagens fortes. Pode parecer loucura mas Nelson lida com o ridículo do humano.

Na estória de terça a personagem de Pedro Cardoso é absolutamente nada. E a mulher casada, vivida por Fernanda Torres só parece interessante exatamente por esse lado ridículo do seu amante. Por isso ela ganha força.

No final, temos ali o ridículo se manifestando mais uma vez. O amante encontra os amigos e ganha um status ao comentar sua aventura amorosa para seus pares. Vejamos, ele se esforça para ficar igual aos seus. Parte do nada para ser medíocre e , quem sabe assim ser reconhecido pelo cara do balcão.

No setting analítico ou no balcão do bar de Nelson nos revelamos ridículos. E é com esse material fantástico que está a obra rodriguiana.

Odailon
odaylon@ig.com.br